“Queloide: Estado da arte”

Postado por Marcos Grillo em 12/maio/2014

Em homenagem ao Prof. Dr. Bernardo Hochman, professor da Disciplina de Cirurgia Plástica da UNIFESP, um dos maiores pesquisadores de cicatrizes, recentemente falecido, resumiremos um artigo publicado na última edição do boletim da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Regional São Paulo.
A palavra cicatriz originou-se do grego pela palavra “eschara”, que significa lar. O lar, com lareiras, estava situado no centro da casa, onde ocorriam as reuniões ao redor do fogo. As queimaduras eram muito frequentes e o nome da causa passou a ser sinônimo do efeito (escaras). Depois, na Roma antiga, a palavra eschara se transformou em “cicatrix”. As cicatrizes afetam as pessoas, tanto podendo limitar seus movimentos como na qualidade de vida social. Dentre as cicatrizes, o queloide sempre foi a mais temida pelos médicos e pelos pacientes, porque usualmente retornam após a retitada cirúrgica.
Atualmente, considera-se o queloide um tumor benigno de cicatriz de pele, e que sua formação envolve fatores imunes e inflamatórios locais. Por isso o queloide sempre tem sido concebido como um distúrbio local e , assim tratado, de forma local. Contudo, sabe-se que existe um estado inflamatório difuso (sistêmico), com substâncias pró inflamatórias (citocinas) aumentadas no sangue dos pacientes e , por conseguinte, também na pele. Entretanto, esse estado inflamatório não tem sido considerado no tratamento do queloide.
Pesquisas atuais também vinculam a formação do queloide a distúrbios funcionais em algumas terminações nervosas da pele, principalmente aquelas responsáveis pelas sensações de dor e temperatura. E, na mesma direção, comprovou-se que fatores emocionais também estão presentes na formação do queloide..
Por isso, hoje é necessário, além do tratamento local do queloide, um tratamento para o estado inflamatório difuso e psíquico-emocional dos pacientes, além de corrigir fatores nutricionais e outros estados alérgicos. Tratamentos apenas locais têm-se mostrado pouco eficazes e até ineficazes.